Saturday, June 21, 2008

casa

Minha casa, suspendi a construção dela por três meses.
É trabalho e é desvio de tudo. Uma boa conversa com uma boa amiga com energia e um sábado livre me trouxeram de volta. Comecei a colar coisas por aí, pendurar outras, amanhã vou montar o altarzinho, enquanto o sofá e a mesa seguem em suspenso. A luz agora não me incomoda, acolhe. Posso ler e dormir de diversas formas; de todas as formas. É minha casa. Posso dançar, posso mijar, chorar. Qualquer coisa.
Posso viver.

Wanderléria que parece ser meu lado mais grudento, carente, nem quando estou aqui, sentada ao computador, tentando voltar a escrever qualquer coisa, ela sai do meu colo. Me lambe o braço que alcança e dorme, quase como se me atrapalhasse de propósito, para chamar atenção. Digo pra ela que faz cócegas, ela não se incomoda. Lambe mais ainda.

Talvez hoje, pela primeira vez me sinta mesmo em -minha- casa. Do processo, do tempo, já aceitei que nem tudo compreendo. Porque só hoje, porque só agora. E já se passaram tantos meses.
Talvez me sinta no fim de um processo. Pensando bem acho que é mesmo isso, me sinto hoje no fim de um ciclo agitado e por muitas vezes doloroso. E agora recém encontrada com a calma. Re-encontrando o pensamento, a minha poesia, que quer toque ou não aos outros, me toca e me vive.
Me sinto mais forte. Cresci um tanto e com o tudo que esse crescimento traz, estou cansada; Exausta. D´um cansaço que chega a me dar tontura, mas que me faz dançar mesmo assim. Girar mesmo tonta. E é um cansaço que me obriga (mais do que permite) deixar de lado grande parte das defesas, das máscaras, das mortes.

o telefone tocou.
o que vamos fazer hoje? sábado, felizes separados.
"ah, mas essa morgação é pra se fazer junto!"
e eu a questionar os limites do junto e separado, menos logicamente do que sensorialmente. Deixe ir.
Vou cozinhar pra você. Ver filmes. Quero te mostrar coisas. O mundo.
Mas eu não te amo...
Eu não sei amar. Te amo.
Vem, deita aqui, em silêncio. Fiquemos a ver o tempo passar, e a palavra amor ganhar algum sentido que não seja desespero ou vazio.
Vem.

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