Thursday, June 26, 2008

as suas roupas misturadas com as minhas. a minha blusa, minha calcinha, enroladas em sua camisa, tantos números maior.
minha boca, minhas palavras, todas infectadas de você.

descobri hoje que entra um vento frio por debaixo da porta da frente da sua cama.
você não estava. Tive vontade de voltar a dormir e deixar o mundo ir, por conta dele, sem mim. Não mais por meu dedo dentro do buraco das formigas, não olhar dentro do mar, sem vento.

o telefone tocou.
que horas são?

o cheiro, o nariz e a boca. As roupas todas com resquícios de você.
o edredon cheio de nós. Cheiro de resto do sexo que fizemos ontem, de dores que sentimos e de noites bem ou mal dormidas. Você me abraçava e sorria.
Não te vi essa noite. Dormias?
Percebo o tamanho que você já faz parte quando vejo esse pequeno gesto: minhas roupas se enroladando com as suas.
e nada que eu possa fazer além de sorrir.

Wednesday, June 25, 2008

mario cravo neto

Tuesday, June 24, 2008

o corpo dela estendido no chão. O pior da presença é que ela não cessa em anunicar a ausência.
A gente se habitua à tudo - disse. Fingindo não tremer, perdida.
Até hoje não conseguira chegar à conclusão, se tremia de amor ou de medo. Toda vez assim, igual. Sentia. Tremia.

Você seria incapaz de afundar em toda a merda em que me transformei.

-Do que você está falando?
-Eu não sei cuidar.
-De quem?
-De mim eu sei. De todo o resto.

O corpo dela estendido na cama, nú. Os bicos dos seios rígidos do frio que faz dentro. Uma lágrima de pedra que virara quase um estandarte podre e decadente.
Eu queria poder te mostrar todos os pontos, os cantos, as coisas. Eu queria te mostrar o mundo. O meu mundo. Eu queria ter força e me sentir forte. Mas, na maioria do tempo, só me sinto chata. Branco, as vezes.
Como foi que fiz pra chegar aqui?
Falta-te senso de contrução.
tijolo, tijolo.
A estrutura a desmoronar-se e ela.
ela tremendo no chão.
choras?

Saturday, June 21, 2008

lembrete metalinguístico

assumindo que mais eu do que outra pessoa lê isso aqui:
não posso esquecer de pesquisar jeanne Faust.


(Já os filmes e as fotografias de Jeanne Faust, única artista alemã da última Bienal de Artes de São Paulo, remetem à nossa memória fílmica. De forma magistral, a artista usa o cinema como referência em seus trabalhos, escolhendo códigos visuais de diferentes gêneros cinematográficos para suas encenações. Seis de seus filmes serão exibidos no Festival, apresentados por Jörn Zehe, co-autor de alguns de seus trabalhos: Rodeo (1998), My Private Satellite (2000/01), Interview (2003), IV (2005), Répéter Alba Negra (2006) e Excuse Me Brother (2006). )

casa

Minha casa, suspendi a construção dela por três meses.
É trabalho e é desvio de tudo. Uma boa conversa com uma boa amiga com energia e um sábado livre me trouxeram de volta. Comecei a colar coisas por aí, pendurar outras, amanhã vou montar o altarzinho, enquanto o sofá e a mesa seguem em suspenso. A luz agora não me incomoda, acolhe. Posso ler e dormir de diversas formas; de todas as formas. É minha casa. Posso dançar, posso mijar, chorar. Qualquer coisa.
Posso viver.

Wanderléria que parece ser meu lado mais grudento, carente, nem quando estou aqui, sentada ao computador, tentando voltar a escrever qualquer coisa, ela sai do meu colo. Me lambe o braço que alcança e dorme, quase como se me atrapalhasse de propósito, para chamar atenção. Digo pra ela que faz cócegas, ela não se incomoda. Lambe mais ainda.

Talvez hoje, pela primeira vez me sinta mesmo em -minha- casa. Do processo, do tempo, já aceitei que nem tudo compreendo. Porque só hoje, porque só agora. E já se passaram tantos meses.
Talvez me sinta no fim de um processo. Pensando bem acho que é mesmo isso, me sinto hoje no fim de um ciclo agitado e por muitas vezes doloroso. E agora recém encontrada com a calma. Re-encontrando o pensamento, a minha poesia, que quer toque ou não aos outros, me toca e me vive.
Me sinto mais forte. Cresci um tanto e com o tudo que esse crescimento traz, estou cansada; Exausta. D´um cansaço que chega a me dar tontura, mas que me faz dançar mesmo assim. Girar mesmo tonta. E é um cansaço que me obriga (mais do que permite) deixar de lado grande parte das defesas, das máscaras, das mortes.

o telefone tocou.
o que vamos fazer hoje? sábado, felizes separados.
"ah, mas essa morgação é pra se fazer junto!"
e eu a questionar os limites do junto e separado, menos logicamente do que sensorialmente. Deixe ir.
Vou cozinhar pra você. Ver filmes. Quero te mostrar coisas. O mundo.
Mas eu não te amo...
Eu não sei amar. Te amo.
Vem, deita aqui, em silêncio. Fiquemos a ver o tempo passar, e a palavra amor ganhar algum sentido que não seja desespero ou vazio.
Vem.

sem ar




vejam! vejam! vejam!