Tuesday, July 31, 2007

ciclovia

É que eu tremi, mais uma vez.
Corria contra o tempo do dia e quando fez, eu nem percebi.
É que eu senti, mais uma vez. E ainda mais outra, antes de me encostar ao poste e dizer aos céus os maus nomes que aprendi quando nova - e que eram proibidos de se falar a mesa.
É que você nunca teve pudores, sem mesmo ter controle sobre isso, de me assaltar assim.
e eu xinguei os céus, os oráculos e fiz uma canção à estupidez viciada.

quero arrancar-te de mim. Longe, pra fora. Precisamente como se faz com uma perna podre. Fazer de ti algo que nunca existiu.
tornar impossivel ainda ter isso em mim.
judiação!

às vezes penso mesmo que se eu conseguir escrever sobre isso, te tirarei do meu corpo de vez. E é de dentro do meu corpo que eu preciso te tirar. Dentro do osso esquerdo da bacia, ali bem onde sempre pairou (e segue, um tanto menos afetado)o meu medo. Aquele buraco imenso - meu poço de medo infinito.


e você deveria fazer menos de você mesmo. admitir, menos mudo do que eu, a saudade. Essa saudade que parece vir de tempos em tempos, como um ciclo estúpido viciado.

As coisas tem o tamanho que tem. Pelo menos dentro de mim, agora.

E já vai amanhecer, mais uma vez. E é mais uma noite triste nesse meu exílio.
Tem voltado intensa. Tem voltado aquela vontade de desaparecer, absoluta pelo espaço e tempo que não palpo.
Às vezes quase sinto vontade de vomitar, ou pular, janela afora a ver se vôo de verdade.


é que tem gente que não aguenta o fim de um dia, é só isso. E comecei a descobrir que nem dentro de mim caibo. Diante de você, que sabe-se lá porque voltou a me aparecer nos sonhos.

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