Tuesday, July 31, 2007

tenho me sentido desvirtuar a mim mesma o tempo todo.

a trilha da insonia de hoje

At the hop - devendra banhart


Put me in your suitcase
Let me help you pack
'Cause you're never coming back
No, you're never coming back

Cook me in your breakfast
And put me on your plate
'Cause you know I taste great
Yeah, you know I taste great

At the hop, it's greaseball heaven
With candy pants and Archie too

Put me in your dry dream
Or put me in your wet
If you haven't yet
No, if you haven't yet

Light me with your candle
And watch the flames grow high
No, it doesn't have to try
It doesn't have to try

Well, I won't stop all of my pretending
That you'll come home
You'll be coming home, someday soon

Put me in your blue skies
Or put me in your gray
There's gotta be someway
There's gotta be someway

Put me in your tongue tie
Make it hard to say
That you ain't gonna stay
That you ain't gonna stay

Wrap me in your marrow
Stuff me in your bones
Sing a mending moan
A song to bring you home

ciclovia

É que eu tremi, mais uma vez.
Corria contra o tempo do dia e quando fez, eu nem percebi.
É que eu senti, mais uma vez. E ainda mais outra, antes de me encostar ao poste e dizer aos céus os maus nomes que aprendi quando nova - e que eram proibidos de se falar a mesa.
É que você nunca teve pudores, sem mesmo ter controle sobre isso, de me assaltar assim.
e eu xinguei os céus, os oráculos e fiz uma canção à estupidez viciada.

quero arrancar-te de mim. Longe, pra fora. Precisamente como se faz com uma perna podre. Fazer de ti algo que nunca existiu.
tornar impossivel ainda ter isso em mim.
judiação!

às vezes penso mesmo que se eu conseguir escrever sobre isso, te tirarei do meu corpo de vez. E é de dentro do meu corpo que eu preciso te tirar. Dentro do osso esquerdo da bacia, ali bem onde sempre pairou (e segue, um tanto menos afetado)o meu medo. Aquele buraco imenso - meu poço de medo infinito.


e você deveria fazer menos de você mesmo. admitir, menos mudo do que eu, a saudade. Essa saudade que parece vir de tempos em tempos, como um ciclo estúpido viciado.

As coisas tem o tamanho que tem. Pelo menos dentro de mim, agora.

E já vai amanhecer, mais uma vez. E é mais uma noite triste nesse meu exílio.
Tem voltado intensa. Tem voltado aquela vontade de desaparecer, absoluta pelo espaço e tempo que não palpo.
Às vezes quase sinto vontade de vomitar, ou pular, janela afora a ver se vôo de verdade.


é que tem gente que não aguenta o fim de um dia, é só isso. E comecei a descobrir que nem dentro de mim caibo. Diante de você, que sabe-se lá porque voltou a me aparecer nos sonhos.

Monday, July 16, 2007

- as vezes sinto que vou desbotando...
- você tambem?
- é. achas que isso chega em algum lugar?
- além do nada absoluto?
- é que eu tinhha pensando...
- branco.
- é.
- pf.

...

do desanimo

acordei as cinco da tarde outro dia - perdido.

encolho o tempo pra não sentir.
nem ele, ma(i)s nada.

é um sentimento de que tudo se repete exatamente igual. O jeito das pessoas, o jeito do tempo, o jeito do mundo.
E é um jeito viciado que vai cansando.

Talvez eu nem queira fazer tudo isso que acho que quero fazer.

O desanimo tem me invadido, e eu durmo que é pra não vê-lo.

tudo é tão inventado que talvez eu esteja diante da maior invenção minha: a vida. a minha vida.

e aí, se eu não quero mais nada disso, não quero mais nada tambem.

morte cerebral.
morte espiritual.
morte sentimental!


e mesmo depois disso, alguém me diz: "Maria, isso é o mundo".

Saturday, July 14, 2007

dos coletivos.

ontem, a noite toda em um bar as voltas com um amigo sobre a infancia e a educação. as coisas que nos formaram. as coisas mesmo, menos só a conversa psicológica dos pais e mais a escola, o espaço. falavamos sobre o socialismo do bem-estar, do cinema e a mediocridade geral de tanta coisa. e falavamos de nós mesmo e do nosso "mundo". Apesar de achar sempre os termos errados quando se fala com essa linguagem viciada política.
(Lembrei da época de militancia.)
Ainda e sempre as voltas com questionamento algo juvenis, sobre o conteúdo, sobre arte, e depois pensar onde cabe tudo isso.
ainda sem saber.
por agora, hoje, só contentetriste por ter tido uma longa conversa que há tempos não tinha.
É tão bom se ouvir.

aí aproveito pra divulgar uma galera legal que conheci. Uma banda do Belém do Pará, muito boa! boa mesmo!
Os caras conseguiram juntar um monte de coisa: eletrônicos, levada de rap, levada de reggae, a rainha do carimbó, o roqueiro mais antigo do Brasil e coisas a dizer.
Uma galera preocupada com Belém, com a Amazônia, com o mundo, com o "novo" e com a tradição.
Eu penso que juntando tudo que eles juntam fazem um grande panorama do Brasil. Trazem a tradição regional, a tradição do rock (que nao deixa de ser do rock-regional-internacional), passam por um caminho, que passa pela mensagem, pela política e se transforma num som novo, misturado, com algo de rap, algo eletrônico e que é algo bom pra caralho e rico pra caralho.
Ao meu ver todos nós somos um tanto assim. muito misturados. Nao só como brasileiros, mas como seres vindo depois de muita historia (como tudo no mundo).

Ele fazem um som (muito) bom, tentando passar uma mensagem política.
Povo que não tem vergonha de falar sobre a Amazônia no início de um show com um público pequeno. Porque as vezes - e na verdade geralmente - as pessoas não escutam quando se fala. Ninguem tá afim de escutar nada, além das próprias idéias "geniais" - tenho sentido isso.
Aí os caras conseguem fazer musica de qualidade e falar.
E mais os dois: Dona Onete e o Mestre Laurentino. Gênios!
Conversamos durante muito tempo. E haja historia.
composições incríveis e todas guardadas na cabeça (e cá pra mim, no coração).
Dona Onete até dançou pra gente.
Mestre Laurentino, que me ficou desafiando perguntas de geografia (das quais ele sabia todas as respostas e eu só metade)e que depois tocou uma música seguida da outra. A impressão é de que era um longo fio, que ele ia tirando de dentro. Uma lembrava a outra, que lembrava a outra, que lembrava. E era.
Ele sozinho mais a gaita, dá som de uma orquestra inteira.

Parabéns, galera!
Ando pensando muito sobre vocês.

Com vocês (será que alguém lê esse blog aqui?):
Coletivo Rádio Cipó!

www.myspace.com/coletivoradiocipo