Sunday, May 27, 2007

não saberia dizer, precisamente, em que momento esse sentimento todo que tinha por você se transformou em outra coisa. Muito mais turva, muito mais odiosa que o próprio amor, que por si só já é tão odioso.
Não saberia e não sei precisar o momento em que abandonei a certeza de falar palavras doces e resolvi dizer outras palavras, de outras formas, e me estagnei diante da incapacidade muda de dize-las como -as- queria.
sempre tive com as boas idéias um grande problema de realização. Pensava em algo lindo, perfeito e quando me via diante do meu próprio resultado o achava odioso. ainda mais do que esse novo sentimento mais odioso que o amor.
não estou morta e passiva. sinto tudo, tudo quanto antes, forte, forte. É que no centro da economia, tudo é ainda mais pronto pra não te fazer sair da cama. E o frio também vem ajudando.
Outro dia sonhei que o sonho ia acabar e eu tinha que juntar minhas coisas. E eu pensava: se soubesse que teria que sair tão cedo, teria me preocupado com as coisas. Agora nao sei onde as deixei.
Acordei com a ressaca de se entregar. E essa expressão horrível que não existe.
hoje eu quase tatuei qualquer coisa.
mas me era intranscodificavel essa vontade de dizer que estou viva, mesmo estando absolutamente morta. de dizer, que passei a sentir por você e pelo mundo algo que não sei explicitar, e que agora, com esse novo tudo, estou mais uma vez estagnada.
perdão.

Tuesday, May 15, 2007

a todos os santos.

-saúde!
-mas, eu nem espirrei.
-mas ia.
-É. Agora perdi.

É que faz um ano. E eu nem ia perceber se alguém não tivesse dito: hoje foi o dia em que. Faz um ano. E eu na estrada escura e nublada (sem metáforas) vinha dizendo meio baixo, pra ter certeza de que só eu ia escutar, que acho que vou criando coisas por aqui, vou desenvolvendo coisas e que isso dá medo.
Eu dizia, talvez eu esteja hoje chegando perto de minha proposta, mas cada vez que me sinto mais presa a uma proposta que eu mesma criei, acho estranho, tenho medo.
Faz um ano.
É que eu tenho medo de muitas coisas, sabe?

Não parece.

Eu vi o mar. não senti nada, chorei diante de minha insensibilidade.
É que tem dias em que se está de pedra.
E hoje aquele mar preto e a areia dourada, irreais e sujos, me emocionaram tanto...
Aquela figura linda, que me deu vontade de chorar. Um homem, tão feminino, que me veio na janela e pediu dinheiro pra comer. Agradeceu a ele que deu o dinheiro e a mim, aos nossos orixás. Me tocou, me sorriu. Fiquei tão emocionada quanto a dias não ficava.
É que eu nem sei se tenho sentido.
Minto, de mim sei bem o que vem.
E as construções, e o cheiro a textura das paredes, e só das paredes do porto de Santos, meu deus, como eu senti a cidade antes mesmo de atravessar aqueles muros. E os navios. Quantos. Tantos. Lindos.

-Atchim!
-saúde.
(ela se assusta)
-obrigada.
(ele sorri)

É que nunca a gente está preparado.
E é que tem dias em que se está de pedra.
Minto.
É que eu nem sei.
Outro dia eu vi o mar.