Thursday, March 01, 2007

sobre escrever para crianças

diante desse (não tão novo) desafio...
há uma qualquer intuição em mim que sente que posso escrever pra crianças. Que sente que de alguma forma esteja aí o meu caminho para me comunicar com elas.
Depois de um compromisso perdido, resolvi caminhar, e muito caminhando acabei na livraria cultura. Mergulhei na sessão infantil, sem um centavo para comprar nada. Ri com algumas descobertas. Parei diante do pequeno príncipe, lembro de meu pai, contando os anos, avaliando se eu já estava "pronta" pra ler o pequeno príncipe. Era o livro que ele mais queria que eu lesse. E quando li, foi em segredo. Descobri que existem estudos sobre filosofia para crianças. Liguei pra minha mãe, "mãe, você já ouviu falar nesse cara?".
Não tem como pensar em infância sem pensar na minha infancia.
E geralmente tenho um sentimento doce da minha infancia. Tenho lembranças boas, algumas, muitas, re-inventadas por imagens fotograficas, cheiros.
Mas acho que o mais curioso, é observa-las, as crianças.
Acho que sempre tive medo delas. Elas me propoe um espaço sincero diante da minha sensaçao de não conseguir conviver com o mundo. Considero que não entendo nada do mundo delas e não sei como ser diante delas. Da crueldade tao exposta delas, da amoralidade tão exposta.
Cismo que nao sei lidar com crianças, repito, repito, repito.
E todos riem, dizem que é uma grande mentira minha.
O dia em que passei uma tarde girando uma menina nos braços no Porto, o dia em que atrás de uma casinha conversava sobre os principes com duas meninas e um veu de princesa na cabeça... E porque sou eu que trago os presentes infantis, o guarda-chuva patético. Acho que acredito nesse eterno sentimento de infancia mesclado com as durezas da vida de um adulto.
Será um mergulho, e desde já, desde o convite, já está sendo. Peças, fotografias, livros...
Uma deliciosa ironia que a vida me traz, mais uma.
E como eu ria, deliciada, na livraria cultura.
E como sei que minha mãe agora, retoma e organiza alguns livros antigos de minha infancia que ela fez questao de guardar.
O pequeno príncipe. pai, o pequeno príncipe! olha lá!
e a pequena princesa destronada, com um véu roto na cabeça. como ela caminha por essas ruas agitadas, nao parece ser daqui...

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