Saturday, February 17, 2007

clarice e fernando - revisitados.

"passo o tempo todo pensando - nao raciocinando, nao meditando - mas pensando, pensando sem parar. E aprendendo nao sei o que, mas aprendendo. E com a alma mais sossegada (nao estou totalmente certa). Sempre quis "jogar alto", mas parece que estou aprendendo que o jogo alto está numa vida diária pequena, em que uma pessoa se arrisca muito mais profundamente, com ameaças maiores. Com tudo isso, parece que estou perdendo um sentimento de grandeza que nao veio nunca de livros nem de influencia de pessoas, uma coisa muito minha e que desde pequena me deu a tudo, aos meus olhos, um verdade que nao vejo mais com tanta frequencia. Disso tudo, restam nervos muito sensíveis e uma predisposiçao séria para ficar calada. Mas aceito tanto agora. Nem sempre pacificamente, mas a atitude é de aceitar"


"há um edificio aqui que, anunciam, que vai cair, e o mundo, embora ninguem anuncie, tambem vai cair. tenho pensado muito no mundo atualmente, mas infelizmente nao sai nem um pensamento aproveitavel."


"fernando,
que bom receber carta sua.
Eu nao sabia que voce tinha amigdalas... Minha amizade por você teve presença por tão pouco tempo. Acho que deveríamos apagar tudo e principiar pelo principio. Começo um pouco timidamente dizendo que fiz operaçao de apendice. Quem sabe a sinusite não era amígdalas?
Seu sonho, Fernando, nem quero psicaniza-lo, e nem lamento que tenhamos esquecido o nome da fera, se bem que por dentro eu diga decepcionada: pronto, nunca mais. Mas se nos lembrásssemos do nome dela, estaríamos no mesmo: certamente ele nao seria uma palavra clara mas uma ignorada, uma que de novo a gente teria que dizer: é um símbolo. Se bem que dessa vez essa palavra fosse o ultimo simbolo, o mais perto do nome real e nao o simbolo do simbolo do simbolo, nao como as outras palavras. Mas acho que ja estou desvairando e continuando o sonho do sonho do sonho.
...
espero em Deus acordar deste mau sonho que está se prolongando mais do que posso as vezes suportar. Mas as vezes nem é dificil suportar. as vezes estou num estado de graça tao suave que nao quero quebra-la pra exprimi-la, nem poderia. Esse estad de graça é apenas uma alegria que nao devo a ninguem, nem a mim, uma coisa que sucede como se me tivessem mostrado a outra face. Se eu pudesse olhar por mais tempo essa face e se pudesse descreve-la, voce veria como é esse o nome da fera que voce esqueceu no sonho.
Talvez seja orgulho querer escrever voce as vezes nao sente que é? A gente deveria se contentar em ver, as vezes. Felizmente outras vezes nao é orgulho, é desejo humilde.
...
Demorei tanto a responder por motivos exteriores ao prazer que tenho em receber carta sua e ao gosto de de lhe responder. Por que é que voce hesita em cada carta, sobre se deve ou nao manda-la? Acho que sou tao seca que corto o movimento das pessoas. E só quem é assim é que pode compreender como é ruim ser assim."

Wednesday, February 14, 2007

e ainda da serie fotos...


um longo silencio aconchegante em um carro cheio de gargalhadas.
amanheceu já faz tempo, e agora, podemos desfrutar.

existe qualquer sensação em ter uma casa, com uma família, que é inegualável. a minha, tem bigodes de foca, nariz de tamanduá. e eu amo ela.
trocam-se lençois, lavam-se roupas. cafés eternos, cafunés das mãos mais doces. e qualquer programa, que pouco importa, na tv.

Tuesday, February 13, 2007

almost.

Sunday, February 11, 2007

em algum canto de um tempo qualquer



















"And all those lonely nights down by the river
Brought me bread and water, water in
But though i tried so hard my little darling
I couldn't keep the night from comin' in"

Joanna Newson

Wednesday, February 07, 2007

robertão, e as roupas a girar na máquina de lavar com o botão quebrado.
ah os clichês do dia-a-dia.

comoéqueeunaopenseinissoantes, itamar?

me chamam do frio britanico e estados unidense para pensar na teoria humana.
hoje recusei.
ontem tambem.
e amanhã, só semana que vem.
sinal de ocupado no telefone.

nao se sabe se eu suporto essa postura de ovelha boa, dentro dos vaivems que sinto.
sou de extremos mesmo.
voce da motivos pra eu gostar de voce?
quem é voce?

as folhas quando caem, nascem outras no lugar. diz robertao. ô robertão.
minha mão de deus.
rá.

piadas sem nexo.
voce esta meio louca ne?
eu? eu...ja faz tempo ne?
gargalhadas gerais.

amanha nao da. nao pode ser 6a?
as onze.
nao pode ser mais tarde?
voce nao estava livre?
nova gargalhada, seca agora.
ok.

is this it, ó minha mao de deus, is this it?

tao pop, hoje, ela.
ó ela, pobrezinha.

nao tens fome?
muita.
mas nao quero comer.
nada.

Monday, February 05, 2007

a ti meio eu.

devem fazer por agora cinco anos, desde que te enviei aquele email.
nele, te dizia, com carinho e doçura, que entendia o sentimento de se afastar para poupar o outro. de se afastar de alguem, por achar que estar longe é melhor para o outro.
voce chorou nesse dia. me escreveu as linhas mais lindas que ja alguem me escreveu.
hoje, mal temos contato. e contra toda instituição, começou de ti o meu não pertencimento.

lembrei desse email, enquanto lavava a louça e pensava que minha gata já está sumida há dois dias.
"será que encontrou outra casa?" pensei "talvez ela fosse mais feliz em outro lugar".
e teu email me tomou de assalto, quase como um soco.
talvez pareçam bonitas as palavras que trocamos aquele dia, mas hoje, me enervam profundamente. e mesmo essas, sobre minha gata. não te parece que soam algo como falso altruísmo?
"farei isso porque é melhor pra voce. e o amor..." ora. seriam fáceis as coisas se fossemos nós todos tão altruístas.
acho que foste embora porque tinha medo.
e eu, quando entendi, fui também, pelo mesmo motivo.
afinal, que mal poderias me fazer maior que este de nunca ter estado perto?
culpamos um ao outro.

lembro do carinho das minhas palavras tristes daquele dia.
lembras tambem, por certo.
engraçado como agora o amor que sinto por você ainda tão latente vem vazio de carinho. como nao sinto carinho por voce. como nao choro mais todos os abraços e as palavras de amor que nunca me destes.
errei em te exigir tanto o que nao podias me dar, nao é?
e voce, assim como aquela na qual eu estava me transformando e tento reagir, tao acustumado a ser cobrado por caber em potes etiquetados que nao cabia, nao esperava mais que isso.

nao te exijo mais nada.
e triste, por nao saber como fazer tanto quanto voce, me afasto.

mas a gente nao sabe quem é voce, me disse um dia.
eu sorri.
ainda serei eu no jantar.
e já a noite, voce mudou de assunto.

ah e se voce deixassse eu te dizer como voce fudeu a minha vida.
e ah se eu pudesses escutar de ti que me amas.

Sunday, February 04, 2007

o mundo.

as vezes, ela tinha a impressão de que havia inventado um seu mundo. onde só ela habitava. onde as logicas e as leis, só por ela podiam ser entendidas, e onde o sentimento era tanto que as vezes chegava a transbordar.
estado de sítio na pequena cidadezinha. todos -ela- saiam correndo.
quando chegava bem longe, olhava decepcionada as roupas secas. nao conseguia ficar.

certificava-se sempre que as portas estavam bem trancadas.
ninguem poderia entrar ali. ve-la tao pequena diante daquele mundo que havia criado. cada casa vazia que havia construido, cada rio que nao molha, cada pedaço de nuvem sem gosto de algodao-doce.

era tudo muito sem graça na terra do eu.

-voce torna tudo mais dificil.
ela sentiu vontade de correr, de gritar, de mandar todos pra longe, a pontapés.
só calou.
e inventou uma boa historia.