Saturday, January 06, 2007

palavras perdidas no ano que vem....

primeiro era a dor de não sentir. socorro.
depois, acustuma-se.
e eu acostumo a tudo, o que em vez de qualidade é mesmo defeito.

a seguir, o pavor. de perceber que ainda se pode.
e se for, apenas de um jeito. arrebatador. sem sobrar pedaços.
essa vida que não deixa a gente ter certezas.
e enlouquece.

sentia vontade de chorar, mas ela não choraria. ainda não.


-eu não aguento mais.
-o que?
largo silencio.
-sentir. as coisas assim. elas...
silencio do outro lado da mesa. expressão em branco.
nao lhe entendiam. nao lhe entenderiam.
e ela, seguia buscando que alguem entendesse?


"voce é louca. você é muito louca!"
riu. suspirou. foi olhar seus cabelos, despenteados, recém molhados, frente ao espelho.
afinal, algum valor naquilo tudo?


ela é muito louca. ela é cheia de manias, e é a pessoa mais medrosa que conheço! e desconfiada, ela! vejá só a senhora, que ela passa um dia assim, sentindo coisas pela metade, perdendo tempo, tentando buscar um olhar que diga mais alguma coisa. que denuncie.

nao me escrevestes nada, e na verdade, nada tenho a te dizer também.
e pior do que esquecer é ter de lembrar.

é que não tenho tido sono.
sempre pronta a levantar, não mais que a sombrancelha, o dedo e os pelos, que arrepiam.


e ela ainda agora prendia o choro.


o mundo está a correr lá fora, querido.
a chuva, os carros, os sonhos.
e aqui dentro é como concha, o resquício de pérola, que empedra e empedra. em meio a tanta lama.
nao tens ideia do quão crucial é tudo isso, ó querido.


-não tem graça nenhuma, ela.
-pois. eu é que não queria ser ela.

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