Sunday, January 14, 2007

(foto de ana rita. e fotoshopes de chelo. merci mon cher.)


preciso comprar um ventilador.


escutando o barulho de um desses antigos na casa de mamãe, cheguei a conclusão de que eu preciso de um. pra por em frente a cama. e ficar acalmando, ac-alman-d-o, a-c-(alma-ndo)... com o zum zum constante e grave que ele faz.
como ninguém mais sabe fazer.
as vezes parece até ser de sair palavra. mas é em lingua linda, estranha, particular... língua de ventilador. e eu que mal entendo a minha.


senti vontade de apagar tudo.
quase apaguei.
mas é que sempre fui tão covarde, que tive medo de ser covarde.
e deixei.
depois passa, me disseram.
e entre a agitaçao falsa e a tristeza que paralisa, eu acho cá pra mim que nunca é que chega esse dia de passar.


preciso muito de um ventilador. e o meu, vai ser daqueles antigos, de metal azulado. vou pendurar alguma coisa nele...mas, o que?


não sei porque resolvi rever pessoas de tanto tempo. telefonar praquelas que já haviam me esquecido por completo.
dizer que estou aqui...
talvez a fim de descobrir que ainda estar aqui pra mim é muito mais doloroso que pra todas elas juntas...


já sei, vou por uma fita do senhor do bonfim.
que é pra acreditar.


por esses dias, ontem, ou hoje, não sei, passei em frente ao nosso santuario, que em vez de velas e imagens, sempre foi só um quarto, meio apertado, de paredes amarelas. sempre a nos enganar no tempo. tinha um canto de tomar café. e nada mais.
a gente achava que o amor era revolucionário na época.
quer dizer, voce achava. eu nao.
e agora, sem mais saber nem nada, com revoluçoes ao meio, passei lá em frente. e até achei te vir sair de lá. e quando vi que eu nao estava ao teu lado, entendi que nao eras tu.
que aquele santuario nunca foi mais nada que um quartinho mal iluminado, enquanto a gente nao la estava.
e o engraçado é que mesmo assim, santuário ou quarto, ele ainda segue lá, de pé. mesmo sem a gente.
acho que é esse amor que a gente sublimou, e que virou algo assim, que existe maior que o eu. que o você... mais forte que parede.


talvez o meu ventilador, o meu, de metal azulzinho, daquela cor de novo velho e com fitinha do bonfim, não quebrasse nunca. seria lindo, disse ela infantil.



me perdi.
fiquei só, com essa sensaçao intensa, que só nessa cidade se tem, de poder apalpar o tempo. de comer ar com gosto, com cheiro e quase com sabor.
sei lá. acho que o rio sempre tem esse tempo de quase pegar nas maos, o bafo com vento que embrulha o estomago.


acho que perdi tanta coisa por medo. e por desatençao,
que melhor é não comprar ventilador.


-mas, por que?
-era capaz d-Eu quebrar.

1 Comments:

Blogger M__ said...

o que acontece com as pessoas hoje? (que elas tão asim...tão à flor....afff. af que lindo!)

11:35 PM  

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