Friday, October 27, 2006

tem dias que o céu está tao cinza, que pode se abrir o sol que abra, nao se ve luz.

de um teraza de madri, via um grupo enorme de criancas brincar, enquanto ouvia historias e informaçoes sobre bogotá e buenos aires.

quero viajar e abarcar o mundo. mas tem dias, cinzas como esse, em que nao alcanço, com meus braços, nem mesmo meu corpo inteiro.

me aventuro a ir ate a esquina de havaianas e ouvir yo la tengo por uma hora seguida.
em dias assim, isso ja e um ato de muita coragem.

entao, no caminho de volta, forço um sorriso melancolico e torço para que o dia se acabe logo.

Saturday, October 21, 2006

sobre ter a casa suja.

xícaras, panelas, garfos, facas, copos, taças e restos de comida.
tudo de ontem, ou anteontem exposto, esperando pra ser jogado fora.

panos limpos, desinfetante! e limpar a mesa que leva tantas marcas.
tantas marcas, suspirou.

um dia houvera uma festa, onde tantas pessoas alegres dançavam pelo longo salao de madeira, que hoje, encontra-se sem pes, sem sapatos jogados ou casacos pelo sofa.
ficou apenas a poeira. e as manchas.

limpar a casa pode ser algo bem difícil, pensou ela.
e com preguiça se recostou na cama.

lembrou da festa, de como dancava. deus, como dancava!
levantou-se e lavou uma xicara. Uma apenas.

de algum lugar se deve começar.

Friday, October 20, 2006

chuva

sempre morei no Rio.
e lembro de quando era pequena e iamos a penedo nas ferias. Faziamos longos lanches/jantares toda noite.
Primos, irmaos, maes, todos reunidos. E sempre a tv ligada.
Meu avo nao podia perder o jornal e minha avo a novela (nem tampouco todas as criancas).
hora da previsão do tempo.
chuva em sao paulo.
-xiiii, entao pode apostar que vai chover amanha aqui.
dizia meu avo. e era certo. sempre chovia.


e assim aprendi. Choveu em São Paulo é sinal que vai chover aqui tambem.

Entao estava anteontem falando com Rodrigo no telefone e ele perguntou.
-Frio?
-Ta. mas so a noite. de dia faz sol. e ai?
- Aqui começou a chover hoje. choveu o dia todo.

automaticamente pensei "xiiii".
mas respirei aliviada. Madri nao esta na rota de chuvas de são paulo.
fui dormir tranquila.

acordo no dia seguinte,
chuva!
ri, debochada.
"vovo tinha razao"
(e nao parou de chover ate agora!)

nao importa onde se esteja, choveu em sao paulo é sinal de que vai chover aqui tambem.
mais um lema da familia terra.

Wednesday, October 18, 2006

Don’t make me sad, pensou ela.
Diria isso a ele ou a ela mesma?
Vibrator as vezes me vem a noite.
Junto com um montão de outras coisas. E os queijos, torradas e vinhos que temos tomado.

Tem sido importante conviver com Julia. Somos muito diferentes, as vezes nos irritamos, mas de alguma forma, fazemos por nos aceitar. Não e sempre fácil, mas, acho que estamos começando a entender os limites de cada uma. Hoje foi agradável. Passamos o dia todo dentro de casa.
Primeiro eu fiz o almoço.
E me permiti experimentar. Provei todos os temperos, pensamos a mistura juntas.
E enquanto olhava pra frigideira me dei conta, que era a primeira vez que cozinhava coisas grandes. Sempre cortei tudo pequeno.
Hoje fiz files de frango com shitakes imeensos, no shoyo e alecrim. E outras coisas.
Sorri ao ver o resultado.
E aqueles shitakes deliciosos, enormes, céus.

Me senti dando um passo.

Depois, ficamos por 6 horas direto trabalhando no roteiro. Cena a cena. Levantando questões, pensando conceito. Chegamos ao meio, e já agora pouco julia foi dormir porque estava exausta.
Intensivo amanha denovo, queremos entregar a Avellar 3a de manha o tratamento modificado.


Estou absolutamente viciada em kings of convenience.

E mandei um email a uma amiga que se faz cada vez mais querida.

Saturday, October 14, 2006

acordei ha pouco.
com vontade de escrever.

ontem li pedro paramo inteiro e bebi, aqui em casa mesmo, ate as seis da manhã.

agora pus lulina.

vimos um espetaculo de um italiano ontem. curiosissimo. e bom.
chama-se (recorrendo a programacao) vinicio capossela. pesquisando aqui parece que ele tem ate uma gravacao de garota de ipanema com o toquinho.
o cara mistura todo tipo de musica. musicas tipicas da italia, musicas regionais de todas as regioes(rs), metal, folk, musica eletronica. uma zona.
as vezes parece estranho, mas em sua maioria e bem bacana.
um cara que se percebe saca tudo de musica classica, canziones e tal e que decidiu experimentar.
e no mais, parece que poucas pessoas experimentam como ele aqui na europa. porque a euforia dos espanhois e dos italianos que estavam assistindo me impressionou ainda mais.
eles nao conhecem tom ze, nao conhecem ze do caixao. acreditem, ele passa pelos dois, e por mais um monte de gente.

gosto da cidade, mas, sei la.
acho que prefiro mesmo o brasil e a america latina.
ando tao latino americana. risos.
outro dia fazendo caipirinhas de limao e kiwi aqui em casa para umas poucas pessoas, disse pra um cara, que se me lembro bem era argentino, que me dizia que aqui era beem melhor, que ate a agua era ruim. risos. falando alto claro.

hoje, sabado, tenho que reler todo nosso roteiro para comecarmos a reescreve-lo.
avellar e uma coisa.
vou um parque aqui perto, de onde me disseram que da pra ver toda madri.


acho que sonhei com a vila de pedro paramo.

Wednesday, October 11, 2006

coisas que aprendi sobre mim.

gabriel outro dia dizia-me sobre se encontrar...nao ha necessidade de se procurar muito por ai. basta grudar isso aqui naquilo ali, com mais isso e.
como quando se quer fazer tapioca e compra-se goma.
ou quando se quer tomar cafe, comprar biscoito maragoggi.


das coisas que aprendi...

tres dias em madri.

gosto de acordar mais cedo. umas dez. ouvir musica e comer torrada.
ver o sol da manhã me é fundamental para tornar o dia mais dia, mais produtivo, e menos triste.
em compensação, as noites ficaram bem piores.
Sou pretensiosa. Não havia atentado ainda. pretensiosa por achar que sou boa no que faço. e por ter muito pouca paciencia para o papel que me cabe nesse "mundozinho".
Não gosto de algumas pessoas que pensava gostar. As suporto apenas.
e nåo entendo nada de estetica, sou uma pessima cineasta.


As pessoas andam muito condescendentes, e eu, ao contrario, ando tão intolerante, que nao tenho aceitado nem a condescendencia das pessoas.


em madri a luz pode variar em questão de segundos. Há movimento, mesmo que se esteja parado frente a janela a pensar e a escrever asneiras.






tenho muito o que aprender ainda.


ontem, encontrei alguns biscoitos magoggi no fundo da mala.

Sunday, October 08, 2006

estranhando o territorio

depois de umas tantas lagrimas no aviao... cheguei a madri.
ri-me com um portugues na conexao, que como a maioria dos outros, tem uma logica muito simples.

-bruxelas?
-nao, madrid.
-esta bem. se nao queres ir a bruxelas, vais a madri.


conheci o nosso apartamento, onde julia esta agora lendo os outros roteiros. bacana, mas ainda muito estranho. tudo esta muito estranho e tenho sentido uma saudade quase insuportavel de algumas coisas.
ja me peguei pensando duas vezes, so hoje, em como faria se decidisse que quero voltar amanha.

julia e eu pensamos em fazer um passei a la sideways, conhecer os vinhedos.

a ver o que acontece. ate agora, meu espanhol tem se saido ate muito bem.

amanha vou conhecer os outros latinos. teremos a primeira reuniao.


a ver. a ver.



ps. como escrevi esse post em um locutorio coreano, onde tudo estava escrito em coreano, em vez de publica-lo ontem, salvei como rascunho. er... ok, agora ele segue.

Sunday, October 01, 2006

olhando meu caderninho em uma noite entediada, encontrei uma cena que vi em são paulo e que anotei.

Eu comia uma coxinha de cabeça pra baixo e tomava um café em um bar da teodoro sampaio, esperando a hora do set. Já iamos pra lá das 15.00.
Uma mulher entrou com sua filha. Esta, que tinha por volta de uns trinta anos chamou o garçon e perguntou-lhe o que havia para almoçar. Ele com bastante tranquilidade lhe respondeu
- bisteca, picanha...
- Com que acompanhamento?
- É seis reais. Com arroz, farofa, salada...
A mulher saiu injuriada, interrompendo o garçon. A mãe a seguiu. O rapaz não entendeu nada.
passaram trinta segundos. a mãe voltou.
- EI. PSIU!
ele olhou.
- Ela foi embora poque você disse o preço. Ela não queria o preço.
e lá no fundo um grito choroso.
- Eu não perguntei o preço!



sara e eu criamos um blog, que queriamos criar há muito tempo. a proposta é lá colocar meus textos e assumir que isso aqui virou mesmo um obaoba sobre a minha vida.
se alguem se interessar.
www.passounanovela.blogspot.com