Saturday, September 30, 2006

sobre ver o mar...

vestir um maiô e se dispor a ir a praia. depois de mais de 5 meses sem ver mar.
Só pela televisão.
Nunca gostei tanto assim de praia e acho que sempre fui meio branquela mesmo, mas sinto falta do mar.
Pode ser com chuva.

Pisei na areia, com medo de estar quente, mas ela, macia entre meus dedos estava morna, morna.
caminhei um pouco e estendi a canga no lugar mais vazio que encontrei. sentei de frente pra ele.


olhei
com
calma.



Ele pareceu conversar comigo. Acalmou, ele. Acalmei, eu.
depois nos agitamos denovo.
Quando dei por mim, as lágrimas já escorriam por debaixo dos óculos escuros.
Chorei um longo choro, misturado de saudade e de um monte de outras coisas.
Cantei cabeleira. E prometi voltar a vê-lo.

Friday, September 29, 2006

impressões do Rio 2

agora mesmo olhei pra fora da janela desse mesmo apartamento onde vivi muitos anos e vi, além do sol, pétalas, muitas pétalas daquela flor que voa quando bate vento. Lembro-me de pequenina em Petrópolis a caçar flores assim, pra soprar e gargalhar, quando via a planta toda desfeita no ar.
Aqui ao lado, tem um árvore dessa planta, e as pétalas, sem vergonha, entram janela adentro grudando em meus cabelos.

Hoje vou a praia, vou respirar e vou ver o meu avo, tão querido.
Talvez o Rio seja um lugar mais agradável para não se fazer nada.

Camila e eu conversamos ontem um bocado sobre coisas importantes. É bom ouvir alguém que pensa e vê algo próximo, ou no mínimo entende. As duas respiraram aliviadas a caminho do cine palácio: que bom que eu não sou tão louca assim.eutambém!

chegamos ao cinema e karin disse que seu filme era para todos que acreditavam em uma utopia. rimos, cúmplices.
o céu de suely começou.
lindo, lindo, lindo!
Ainda não sei o que eu poderia dizer sobre ele.
genial.
assim que se faz cinema. isso é que é cinema. (não bellini)
penso que gostaria de trabalhar assim, em um filme assim. "com substância" como disse camila. Será que é possível, meu deus?

Adentramos a noite na minha casa - o Lamas - conversando sobre as nossas famílias, e ainda a pensar no estado do mundo.
acho que acordei um pouco aliviada, e não sei avaliar se por ver sol e respirar um ar mais leve, ou se por ter deixado ali no café do Odeon, uns três quilos que trazia comigo.

Wednesday, September 27, 2006

terça feira

bebemos, bebemos e bebemos até não poder mais.
Falamos um monte de coisa. e eu ouvi umas tantas, que precisava.
olhei a minha volta e pensei, meu amigos são ótimos. e sentia que todo mundo estava se sentindo um pouco assim.
contente, sorri um sorriso grande.
rodrigo, em algum contexto, me disse "se você está se sentindo bem, porque vai sair?" concordei e guardei a frase, simples e fundamental, dentro do bauzinho de aprendizados.

dançamos na paulista, comemos bolo com gosto de ração e cantamos cocorosie no ônibus... infernizando a vida de quem mal humorado já ia trabalhar.
hoje quando comecei a me sentir mal, lembrei de ter conversado com carol, pensei no que ela me disse, e consegui fazer ir embora.
talvez algo importante tenha começado ontem. dentro de mim.

Tuesday, September 26, 2006

preparando 1

ah sim, acabei de ler o primeiro roteiro de madri.

ele funciona, mas. er.

acho engraçado ver como algumas coisas que eu acharia interessante há algum tempo atrás, hoje me parecem tão bobas.

Me interesso primeiramente por conhecer o autor, que é de um país onde eu não conheço ninguém e pouquissimo de sua cultura. mas, sei lá minha gente.

a ver.
cada impressão de algo que anda errado é apenas medo da certeza do que se dá.
não só o ossinho, mas a pele das costas, a orelha dobrada, o ouvido surdo e as lágrimas de sono. e cada pedacinho de certeza que ainda tenho a descobrir.
Divido meu roupão, tão ambicionado, de por em cima do pijama e lhe dou, inteiro, o meu pacote de bolachas maria. e as minhas caixas de papelão, que vieram do Rio, levam agora historias em quadrinho para o alto de pinheiros. nome que descobrimos juntos. Logo uns meses depois de descobrir que ir ao dentista, nem sempre é (tão) ruim.

isto aqui é por nós, e pelo que eu nem sei. e por tudo em que ainda vamos nos transformar.

agora mesmo dolores ronronou.

Monday, September 25, 2006

início de semana

dormi tarde-acordei cedo.
depois de dois dias dificeis, uma noite agradável na casa de tiago. estrogonoff, keu e adriano. boas risadas. Minhas roupas todas arrumadas no armário, e um banho quente as 4 da manhã. Tive um surto de alegria. olhei albuns, colei um mapa na parede.
hoje, troquei minha passagem, e quem sabe consiga receber finalmente meu cheque.
Dia frio. Dia de ficar em casa lendo roteiro e fazendo carinho em dolores, que carente, já agora pulou para meu colo.

voltei a ler. e a pensar na américa latina.(!)

Sunday, September 24, 2006

claustrofobia

sempre fiquei algo incomodada em lugares fechados.
hoje indo ao shopping, com adriano, mergulhar na livraria cultura tive um crise de claustrofobia. Descemos um andar subterraneo, g1,g2,g3... comecei a passar mal, desci correndo do carro, peguei o elevador e saí shopping afora. um monte de gente passando pelos corredores. parece que todos resolveram ir a livraria cultura como nós. também pudera, domingo é dia de shopping. nao? pelo menos foi o que me pareceu.
respirei um pouco, entramos na livraria, comprei um dicionario portugues-espanhol-portugues muito bonitinho. Pensei que andarei sempre com ele dentro da bolsa em Madri... dei uma olhada na sessão infantil, ri um pouco.
na hora de ir embora outro desafio. descer toda a garagem denovo, pra poder sair.
Saímos. Juntos.
Um céu tão cinza que parecia estúdio.
- O diretor pediu céu cinza, então resolvemos usar esse teto de cimento aqui.
sorrindo falei pra adriano que achava engraçado como as vezes, quando me sinto claustrofobica aqui em são paulo, dentro de alguma construção, ao sair, não me sinto muito mais avaliada.
Ele concordou, me disse que a maioria das cidades grandes são um tanto opressivas. Voltei pro meu apartamento pensando, será que quando chegar lá me sentirei um pouco menos enclausurada?
Senti-me.
É gostoso ter a minha casa, o meu armario pra arrumar e minha cama pra deitar, onde eu sinto a certeza de estar em um lugar de que gosto.
Nossa casinha tem ficado cada vez mais gostosa, alguns móveis novos, muito carinho e a gata grávida que anda chorando muito, enquanto mal se aguenta em pé de tão barriguda.
a minha casa. o seu ossinho.
e tudo mais que me faz sentir segura e contente.

Saturday, September 16, 2006

In Particular

Lying on my back. I heard music.
Felt unsure and catastrophic. Had to tell myself it's only music.
It blows my mind, but it's like that.

Blonde Redhead

Wednesday, September 06, 2006

quarta feira de manhã

Hoje eu pulei de um ônibus em movimento.
logo antes da porta fechar.
Alguém lá no fundo gritou "meniiiiiina".

eu, tremi um pouco. depois segui andando.