Tuesday, August 29, 2006

só a bailarina que não tem...

cheguei do centro e maria estava sentadinha aqui em frente ao computador desligado. Olhou pra mim com os olhos arregalados e disse. "Por favor, não me deixa trancada que odeio ficar trancada! fico nervosa."
Eu sorri.
"Claro Maria, nunca mais!"

a coitada saiu rapidinho porta afora.
senti-me íntima dela, dei-lhe um beijo e disse "vou tentar te arranjar uma chave".
Ela sorriu um pouco aliviada, mas sem me dar muitos créditos.

é curioso sentir maria mais gente.
Uma claustrofóbica.

me sinto bem entre os claustrofobicos, e caolhos, meio surdos, um tanto zuretas.

one of us.

Monday, August 28, 2006

acordei devagarinho.
e resolvi muitas coisas hoje. Me pareceu um dia válido.
gora tomando banchá e olhando pra tela do computador, concluo que definitivamente foi um dia válido.
A casa está uma bagunça, mas Maria, santa Maria, virá amanhã. Fico esperando que ela me anime a lavar roupas.
Fui atendida por um moço simpático. segurei a porta para os velinhos. E não me senti mal nem uma vez.

Vi Hygiene ontem. Lindo, lindo. Admiro bastante o grupo. E penso que o processo deles (caetano disse que essa peça teve um de mais ou menos um ano e meio) deve ser bem interessante. Assim como quando vi a outra peça, agora também senti vontade de voltar a ter contato com o teatro, fazer algo com teatro. Talvez eu procure uma oficina, algo assim. Ontem cheguei até a considerar com muita animação fazer um curso de dublê. ia ser no mínimo engraçado.

São Paulo de uma certa forma tem me levado a encarar um certo tipo de gente. Uma classe média-alta patética sobre a qual sempre tive opiniões. Dói na maioria das vezes. A mediocridade humana ainda me dói queridos. Adriano acha que eu ainda acredito demais nas pessoas. Ontem saí do restaurante porque não aguentei ouvir a conversa da mesa ao lado. As vezes queria ser corajosa e maluca, pular em cima de uma pessoa daquelas. Mas, minha educaçao, talvez bem mais sábia que isso, me grita para apenas sair e resmungar sozinha do lado de fora.

Enfim, sinto falta do povo descontraído. De sair pra ouvir um samba na esquina sem ter que ser inteligente. Hysteria me trouxe até marchinhas de carnaval...quanto tempo não ouvia uma! Tenho sentido falta também das longas tardes sozinha no cinema. Mas pra isso basta (re)começar, não é mesmo?

Sunday, August 27, 2006

a luz de velas

tenho tido vontade de escrever grandes coisas, mas não me sai nada mais do que essa chaminha pequenininha, que tem me animado.
Foram uns dias de medo, sem entender exatamente o que estava acontecendo. Até que ouvi algo que precisava ouvir. Veio por e-mail, e veio do Rio.
Agora, brigo contra mim mesma. eu vou ficar bem. eu vou ficar. bem.

Friday, August 18, 2006

menções as seis da tarde

tem dias em que não sinto vontade de nada.
Deito embaixo da coberta, com tosse, e não atendo ninguém. nenhum telefone, nenhum chamado ou alarme de incêndio.
Faço menções. e não mais que isso.
sumo, dentro de mim mesma, coberta de um monte de coisas.

...as seis da tarde vem chegando e a sensação ainda está no meu quarto, me esperando. Agora mesmo, saí para respirar.

Sunday, August 13, 2006

domingo

engraçado, de uma certa forma, eu sempre voltar a falar de domingos.
os domingos sempre me foram algo estranho. de um vazio completo, as vezes delicioso e em outras, tão doloroso de se sentir no corpo.

um velho domingo a que deram o nome de dia dos pais. Estão tentando preencher nossos domingos. Não se apercebem do crime que estão cometendo.
Deixem os domingos serem vazios. deixem-me.

E entre um vazio e outro, pergunto-me em silêncio, onde será que está meu pai agora?
Emílio com certeza deve estar obrigando o velho discrente e solitário a algum tipo de comemoração triste, para alguém que acredita que não há motivos algum para se comemorar.

a benção pai.

Saturday, August 12, 2006

impressões do Rio 2 (post um dia atrasado)

Voltava no ônibus em uma das viagens mais tediosas de minha vida. Primeira vez do motorista, ele fez um típico Rio-SãoPaulo durar sete horas. Quando desci do ônibus, um tanto mal humorada, ouvi algo que não pude segurar a gargalhada.
Enquanto o homem se entendia com o ônibus de como abrir a porta de saída, uma mulher olhou pra mim e disse "pelo amor de deus, ele é um sádico!".

agora em minha casa já.


Mas o que quero tentar falar nada tem a ver com o final da viagem.
ainda não.

Vinha a 60 kilometros por hora e lembrei de uma frase de gabriel, que já perdida nos fatos e tempos, talvez não tenha sido dita nem mesmo nessa ida ao Rio.
Ele olhou para mim e disse com uma cara séria: "temos que arrumar um jeito, inventar um jeito, está todo mundo vivendo mal demais."
(aqui, gabriel querido, a licença poética, jamais conseguiria recordar a frase exata)

A frase caiu no meu colo, enquanto eu olhava pela janela.
Pensei nas pessoas de que gosto, nas pessoas que admiro. Entendi o que gabriel quis dizer. Todas estão mal. Todas as pessoas que admiro e que tentam ou tentaram escapar da mediocridade estão vivendo mal. Jogadas pelo mundo.

são tempos estranhos claro.
essa classe média que vai sendo extinguida, e um monte de desempregados de classe.

lembrei-me do "25 watts" da dupla Juán Pablo Rebella e Pablo Stoll, os mesmos do whisky. Juán Pablo acaba de se suicidar.
Quando saí do filme lembro-me bem da sensação de que era um filme muito "uruguaio".
Aquela juventude perdida, vivendo de sub-empregos, sem ter nada pra fazer durante os dias, sem ter nada pra pensar além das sub-tramas de uma vida. Um país cujo o único registro no guinness é de um alguém que ficou 15 horas (nao sei precisamente) batendo palmas.
"Mas porque ele batia palmas?" "sei lá"

De repente tive a certeza de que o filme falava muito mais além do uruguai.
Talvez de toda a América Latina não sei. E entendi Juán. Entendi tanto que sinto a necessidade de rever o filme.

As palmas que não aplaudem nada. Apenas aplaudem. Uma tarde onde não se faz nada, se bebe. Uma vida que não parece caminhar à lugar nenhum e que ainda sim vive.
E aquela vó, velha zumbi, que não fala mais nada. Que já, enquanto representante dos nossos desatualizados valores morais, quando quer entrar no banheiro, nem percebe que ele está bêbado vomitando lá dentro. Apenas senta-se do lado de fora e dorme.
Ou quando olha para o filme pornô na tv, não vê.

Talvez eu também esteja batendo palmas e seja essa a única coisa digna na minha vida de entrar pro guinness.

Wednesday, August 09, 2006

impressões do Rio 1

Dormi a viagem inteira. Sentia-me tão cansada que não tive forças nem para olhar a estrada amanhecer. Apenas lamentei não ter a câmera fotográfica funcionando, senti alguns receios de saudade e caí para o lado.

Estou agora exatamente onde passei praticamente toda a minha vida.
e saí-o.

Tinha esquecido de como era a visão da pedra desse ângulo, ou de como vejo um pedaço daquele quarto mal iluminado, que era o meu, daqui.
Tinha quase esquecido.

Mas aqui, faz sol sobretudo.
e cristina me disse hoje: "eu prefiro calor. O frio é muito triste". eu, que andava distraída, murmurei "hã?" ao que ela me respondeu "é, no frio, toda pancada dói muito".
Não sei exatamente o que cristina quis dizer. Mas eu entendi muita coisa.

muitas pessoas tem reaparecido aqui. Me assusto. depois entendo, e sorrio.

e o mais dificil ainda é quando sinto uma presença que ainda hoje me dá saudade. Independente de espaço. Agora mesmo aconteceu. O vento cessou, o sol abaixou e entrou pela janela um pedaço de sentimento, já um tanto envelhecido.
quase consegui pega-lo com as mãos.

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hoje hana-bi no odeon.

e daniel acabou com minha possibilidade de escrever me enviando musicas do almir guineto.
"dona celestina, me dá água pra beber?"

Tuesday, August 01, 2006

fragmentos de um dia-pensamento

Voltei pra casa desanimada, pensando na minha falta de objetivos.

fila do metrô.
- Um unitário por favor?

Agora mesmo passou uma mulher manca por mim. tinha dificuldade em caminhar.
Outra carregava três crianças, equilibrando-as em seus curtos braços.

Sempre me disseram que ter ambição na vida é fundamental.
E eu tenho tido tanta preguiça de ser ambiciosa...
Ser apenas, sem locuções, já me tem sido bem difícil.

Tem um tanto de coisas que eu gostaria de fazer. Tem um tanto de coisas que me dão prazer.
Mas.

As pernas doem.

A gata veio aqui, deitou no meu colo. Encostou sua cabeça no meu seio e me olhou, com os olhos semi-abertos.
Em um ímpeto, sorri-lhe e disse "eu te amo".
Nunca havia percebido. e o sentimento assim, pulou de dentro de mim.

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Muitas coisas tem me despertado uma doce vontade de chorar, ultimamente.
Uma família tocando violão em um domigo a tarde.
Uma irmã sumida ao telefone.
Uma crise de tosse.

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Ontem vimos o show do cidadão instigado. Gosto cada vez mais da banda. Apesar de alguns pesares do show de ontem.
Depois, uma deliciosa e calma conversa. Por fim, o sono. e um abraço que tem me feito dormir feliz.



Forço-me a escrever afim de não parar.
e assim vou sendo.
Será isso, então, um objetivo de vida?