Wednesday, January 25, 2006

a instabilidade de ser blogger...

Ainda aqui pensando sobre esse blog. Pensei que seria mais fácil escrever com frequência nele. Acho que sou mesmo tímida. rio-me.
Mas a incrível certeza de que ninguém o lê, no mínimo me alivia.
vamos fazendo como dá.

Andei lendo bastante nesses ultimos dias.
Terminei de ler o livro "Tanto Faz" de Reinaldo Moraes.
O livro é bem interessante. É o que poderia se chamar de literatura pop, talvez.
chega as vezes à quase incomodar por ter trechos muito "hippie-nos-anos-80" e outros tantos muito muito masculinos. Lembrou me do livro que carrego como um trauma para mim: "feliz ano velho". ok ok, sei que muitos gostam e etc. Talvez eu devesse reler. Mas nunca tive saco pro livro. Acho o início de uma bossalidade...
O "Tanto Faz" tem suas bossalidades, mas são assumidas. Reinaldo brinca com tudo isso. O tom do livro é bem bom.
A destacar o momento em que o narrador em 1a pessoa encontra-se com o narrador em 3a pessoa (que é o mesmo personagem) para discutir quem deveria assumir a narração do livro.
O humor do livro e as mil expressões inventadas fazem com que ele seja leve e divertido. Por trás disso, uma inteligencia-moleque muito atraente.

seguindo a sessão comentários:

Assisti no domingo a peça "Toda Nudez Será Castigada" do grupo Armazém Companhia De Teatro, no ccbb. Achei muito muito bonito mesmo. Ando revendo e repensando Nelson Rodrigues.
Sempre lembro de minha avó, quando no domingo a noite, no fantástico, dava a hora de começar "A vida como ela é". Minha avó mudava de canal, colocava no "em nome do amor" do Silvio Santos (sim, sim, cresci ouvindo "é namoro ou amizade?"). Ela sempre resmungava "odeio Nelson Rodrigues, ele retratou todas as mulheres do subúrbio como vagabundas. Eu era do subúrbio, e nunca fui vagabunda".
O que "vovó", e talvez muitas outras pessoas não conseguiram enxergar é que, o interessante de Nelson Rodrigues é mesmo essa acidez e frieza com que vê e fala dos seres humanos. "esses pobres mortais". Especialmente os cariocas.
Como essa moral que fingimos (ah, vovó!) é que é muito mais ridícula e catastrófica do que o fato de sermos vagabundos, vagabundas, pilantras, ridículos, dramáticos, patéticos....
A vovó que me desculpe, mas Nelsón é que tinha razão.

A peça trabalha com imagens de uma forma bem interessante.
Gosto especialmente de dois momentos:
do padre e médico que por baixo de seus uniformes estão pelados; eles que trazem consigo por baixo de uma "capa", o seu lado promíscuo do cabaré.
E de quando Geni se mata. Ela escreve a carta para Herculano, em seu corpo com baton vermelho. Este, que traduz a carta e o sangue. E principalmente traduz a carta-sangue, pois é de sangue e de dor que saem aquelas palavras todas.


Ainda vi esses dias os filmes "Quem somos nós" e "As chaves de casa".

Saí no meio de "Quem somos nós".
Tinha lido que iria ver uma ficção misturada com documentário, onde a personagem começa a repensar sua existência. Ainda lembro de ler na sinopse que era um filme "híbrido".
Quando me peguei vendo 50 minutos de documentário sobre físcia quântica, com alguns cientistas e magos sendo entrevistados e umas imagens de péssimo gosto inseridas entre um depoimento e outro, decidi sair.
Uma constante e terrível comparação com "Alice no País das Maravilhas". Personagens que sempre dizem "depende de quão fundo você quer ir na toca". Um jogo de basquete terrível com um menininho cheio de comentários supostamente inteligentes.
Aquilo estava demais.
músicas místicas ao longo do filme. E uma mulher que até os 50 minutos do filme só andou andou andou olhou e fotografou um pouco. Á sim, e jogou basquete.
"Quando você não olha é só uma onda de possibilidades, quando você olha é uma partícula de experiências".
Taí, preferia ter ficado na "onda de possibilidades".

ps. Como sempre, quando você sai no meio de um filme encontra alguém que tem algo a dizer sobre a metade que você não viu. A figura (Emiliano, no caso) disse que a 2a parte se dedica somente à ficção da mulher e que é menos pior. E que a soluçao que ele arrumou pro filme foi dormir em toda a primeira metade.
No fim não disse se gostou ou não. Concluiu dizendo "mas você está certa. o filme erra".
E da-lhe equívoco.


"As chaves de casa".
um filme delicado.
Acho bem bonito, porém nada de incríveel não.
Me lembrou em certo momentos o Valentim.
Talvez por causa de ambos terem ao centro uma criança que está de alguma forma à margem.

Sem vontade de comentar esse filme agora.
talvez depois.

e viva a instabilidade de ser "blogger" (oi? ãhn?)

Ando recebendo links de uma pessoa querida, bem interessantes. Cheguei até o "Cine Imperfeito" e apesar de não ter lido muuuitas coisas. Gostei bastante do que li.
valhe a pena checar.

até... quando?

2 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Very pretty site! Keep working. thnx!
»

4:13 PM  
Anonymous Anonymous said...

Nice idea with this site its better than most of the rubbish I come across.
»

7:36 PM  

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